Pierre Jahan, fotógrafo surrealista e de publicidade

Julho 25th, 2010 at 03:58pm Under Fotografia

Uma das exposições que mais gostei em Arles, foi a do fotógrafo francês Pierre Jahan (1909-2003) um dos expoentes da fotografia surrealista e da fotografia publicitária. Para os que ainda (sic!) tem preconceitos em relação à fotografia publicitária  e/ou de moda, lembro que os primeiros fotógrafos destas modalidades foram justamente os pictorialistas, dadaístas, surrealistas. Ou seja, aqueles que acreditavam na fotografia construída, pensada e os que queriam dar à fotografia o status de expressão autônoma. A exposição foi montada no Musée Réattu , que conserva algumas obras do autor. Pierre, não quis se ligar a grupo nenhum e andou com total liberdade – coisa aliás comum naquela época – nas mais variadas linguagens fotográficas: fotógrafo surrealista, publicitário e até fotojornalista. Para lembrar uma de suas imagens foi exposta no MAM-SP, na mostra “Olhar e Fingir”. Mas o que mais me chamou a atenção foi seu trabalho publicitário. Era o início desta linguagem fotográfica que – como já disse acima – estava ligada muito ao surrealismo, já que foram eles ou este movimento que percebei que a fotografia era índice, era rastro, mas que convencia graças ao fato de estar colada em seu referente.  Lindas e sensuais suas fotos sobre o nú, sobre o amor. Imagens estas que foram usadas para ilustrar um poema de Jean Cocteau. Começou a fotografar nos anos 30, época em que chegou a Paris, cidade onde morou a vida toda. Independente, fotografava por prazer. Livre, fez sempre o que quis. Apaixonado pela experimentação, ousou sempre que pode. Defensor dos direitos dos fotógrafos ajudou na fundação da Federação Francesa da Associaçãos dos Fotógrafos.    

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Imagens contam uma década de história

Julho 1st, 2010 at 06:22pm Under Fotografia+ Geral+ Política

Clube de Colecionadores do MAM abre exposição no seu aniversário   Simonetta Persichetti – O Estado de S.Paulo     De Thomaz Farkas. Da década de 40, registro simples e revelador da infraestrutura de uma São Paulo em transformação             Na última década, uma efervescência vem tomando conta do mercado fotográfico de forma geral. O tema está sempre na pauta das discussões sobre a arte contemporânea, festivais têm se multiplicado pelo Brasil e nossa produção cresce em progressão geométrica, assim como as coleções representativas em vários museus.  O Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo) é prova disso. Criado em 2000 pelo então curador do museu Tadeu Chiarelli, que já havia formado o Clube de Colecionadores de Gravura, e pela curadora-assistente Rejane Cintrão, ele só tem crescido. Já tem 55 obras e uma fila de espera para poder se associar. Para comemorar os dez anos do clube, o MAM organizou uma exposição, que será aberta hoje para convidados, na qual é possível acompanhar a trajetória da fotografia brasileira por meio de trabalhos de profissionais como Claudia Andujar, Maureen Bisilliat, Thomaz Farkas, German Lorca, Fernando Lemos, Luiz Braga, Rafael Assef, Rosângela Rennó, só para citar alguns nomes. Como a finalidade da instituição é incentivar no Brasil o hábito de colecionar fotografias, antes da abertura da mostra haverá a palestra Ciclo de Colecionismo do Programa de Sócios MAM-SP, com mediação do curador Eder Chiodetto e participação de Tadeu Chiarelli e de Antonio Luiz, um dos primeiros associados do clube e colecionador de imagens. Desde o início, a proposta foi a de representar uma produção mais experimental que se inicia no Brasil a partir dos anos 1990: “Este momento é, na verdade, uma retomada do experimentalismo trazido por profissionais como German Lorca, Thomaz Farkas e Geraldo de Barros, no fim da década de 1940 e início de 1950″, explica em entrevista ao Estado Eder Chiodetto, que desde 2006 é o curador do clube coordenado por Fátima Pinheiro. Momento em que a fotografia paulista quebra com as regras vigentes da produção muito mais ligada a uma corrente pictorialista e inaugura no País a era moderna do setor. Nos anos 1960, porém, o registro experimental perde espaço para o fotojornalismo crescente que, durante 20 anos, foi a linguagem principal da fotografia brasileira: “Fora exceções pontuais, a fotografia nacional atravessou um período de aproximadamente 20 anos distante do universo das artes plásticas. A guinada mais efetiva nessa direção se deu após o processo de abertura política, iniciado na metade dos anos 1980, que ajudou a fomentar um clima de diálogo com outras culturas, pautado por novas possibilidades de expressão e de representação, nas quais os artistas se voltaram para temas mais ligados a questões existenciais e subjetivas, em substituição às abordagens sociopolíticas”, recorda Chiodetto. Com o mercado de colecionadores de fotografia em alta, o curador do clube dividiu a coleção em cinco frentes de pesquisas, numa forma não de catalogação, mas de mapear a diversidade da produção: Identidade Nacional, Documental Imaginário, Limites/Metalinguagem, Retrato/Autorretrato e Vanguardas Históricas. Num momento em que voltam à tona discussões sobre o fazer fotográfico, diante da maciça presença de câmeras fotográficas em todos os eventos mundiais, dos debates sobre a banalização da imagem e o papel do fotógrafo, o clube parece que aponta exatamente para o lado oposto: “O crescente interesse pela fotografia se dá porque, com medo da banalização, as pessoas começaram a se interessar por essa arte e querem conhecer as suas diversas possibilidades narrativas”, acrescenta Eder Chiodetto. Nesse processo, uma exposição e um debate ajudam a explicar o caminhos dessa arte.

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Os poemas visuais de José Manuel Ballester

Julho 1st, 2010 at 06:07pm Under Fotografia+ Sociedade+ Teatro

A cidade que se desnuda  Simonetta Persichetti, ESPECIAL PARA O ESTADO – O Estado de S.Paulo São Paulo. A arquitetura serviu como paisagem de fundo para as imagens de Ballester A primeira visão maior que o fotógrafo espanhol José Manuel Ballester teve da cidade de São Paulo, em 2007, foi a vista do alto do Edifício Copan: “Duas coisas me marcaram, a vista do alto e o canto do passarinho bem-te-vi! São as primeiras lembranças que tenho.” Foi o que bastou para se encantar com a metrópole e realizar durante três viagens realizadas em 2007, 2008 e 2010, o ensaio Fervor da Metrópole, que apresenta na Pinacoteca de São Paulo.  A ideia, na verdade, foi construída e pensada pelo curador e pesquisador de arte Juan Manuel Bonet, que já presidiu o IVAM e o Museo Reina Sofia. Foi ele, um apaixonado pelo Brasil, e mais, pela arquitetura moderna do País, que pensou no roteiro dos lugares a serem fotografados: “Precisávamos de um fio condutor”, nos conta ele, em entrevista na Pinacoteca. “Pensei então em fotografar a arquitetura modernista do fim dos anos 20 até os anos 70.” Mas isso foi apenas o início. A arquitetura serviu como paisagem de fundo para as imagens de Ballester, considerado um dos expoentes da fotografia contemporânea, que no Brasil é representado pela Dan Galeria, desde 2006. Juan Manuel Bonet, com Diógenes Moura, curador da Pinacoteca do Estado de São Paulo, assina a curadoria da mostra. Vazio. Imagens em grande formato, espaços vazios, onde a natureza e a intervenção do homem se fazem presentes. Num primeiro momento, a um olhar menos acurado, seus registros nos remetem ao vazio industrial tão querido à escola da fotografia alemã. Num segundo momento, percebe-se a sutileza do olhar de Ballester. Espaços vazios, criados a partir de formas e volumes, além de sua sensibilidade, deixam claro a presença do humano. Apontam para suas marcas, sua passagem: “Somos, sou latino”, diz Ballester. Talvez se encontre mais próximo do fotógrafo canadense Robert Polidori. Mas também não, Polidori fotografa a degradação causada pelo homem, Ballester a construção, a comunhão do homem com a cidade que ergueu. E assim, os prédios de Lina Bo Bardi, Rino Levi, Vilanova Artigas, Flávio de Carvalho, Oscar Niemeyer, foram sendo interpretados e revisitados pelo fotógrafo espanhol. Para realizar este ensaio, não bastou passear pelos lugares pré-selecionados pelo curador, Ballester, como um bom viajante andou e muito pelas ruas da cidade, munido de uma pequena câmara digital, com a qual também fotografava São Paulo. E é este mesmo olhar, flaneur, este átimo do instantâneo que ele tenta reproduzir nas suas imagens de grande formato: “O que me marcou nesta cidade, é que ela tem grande potencial, mas me parece adormecida, pronta para explodir. São Paulo é fascinante. Desde a primeira vez fiquei fascinado por ela.” Fervor da Metrópole não é o primeiro ensaio de arquitetura, ou melhor, cidade, de Ballester. Ele já havia fotografado de modo similar a China e outros espaços urbanos ao redor do mundo. Formado em artes plásticas, acabou por se especializar em restauração de pinturas, em especial da escola italiana e flamenga. Isso lhe trouxe o conhecimento técnico e ajudou-o a se aprofundar na criação de uma obra. E foi esta ideia que ele levou para a fotografia: “Descobri a fotografia na faculdade. Com o tempo me dei conta que ao pintar fotografava e o contrário também era verdadeiro”, explica ele. “Mas num determinado momento, comecei a ficar incomodado com o fato de a pintura ser muito lenta, pelo menos aquela que eu sabia fazer. Pintava um prédio e ele acabava mais rápido do que eu conseguia pintar. A fotografia foi uma escolha de me colocar no mundo contemporâneo.” Sem alarde, Ballester encontrou o que muitos artistas hoje buscam e não sabem colocar em suas obras, somente com as palavras. “Sou um artista comprometido com o meu tempo. Fotografo com o olhar contemporâneo, por isso gosto desse neopictorialismo que estamos vivendo. Busco sempre um diálogo entre as duas linguagens que, embora bem distintas, não são tão separadas assim. Ambas são meios que utilizo.” Em sua visão de mundo, não quis renunciar nem às possibilidades da pintura, nem às da fotografia. Procura captar a essência por meio da luz, venha ela por meio das cores pictóricas ou da construção fotográfica. Ele acredita que a vida é uma representação teatral e a cidade, a arquitetura, é o grande cenário desse teatro que vivemos: “A paisagem urbana nos dá pistas sobre a sociedade que a criou. É isso que me fascina, é isso que busco.” Ou como escreve, no texto de apresentação, Diógenes Moura: “José Manuel Ballester “criou” uma São Paulo integrada e em grandes formatos para propor um diálogo entre o que o pensador Claude Lévi-Strauss chama de antropologia urbana e a verdade real na vida de uma cidade diariamente desafiadora, caótica e em êxtase, imunda e atraente, agonizante e silenciosa.” Surpresas. A cidade de Ballester não é a criação de uma paisagem, nem registro do que o surpreendeu, mas a tentativa de compreender e interpretar o que se lhe apresenta. “Uma coisa é o conhecimento, outra é o descobrimento. Conhecer um lugar no papel e depois me deparar com ele foi uma experiência completamente diferente e rica.” Com suas fotografias, o espanhol construiu poemas visuais, nos apresenta uma cidade que muitas vezes não estamos dispostos a ver, ou a reconhecer, uma cidade que se desnuda de forma generosa para ele, ou talvez seja ele que consegue vê-la com generosidade. Cronista urbano, consegue mostrar o que para ele é a essência da fotografia: “Sensibilidade sem artifício.”  

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Nós na Revista Brasileiros

Junho 10th, 2010 at 06:21pm Under Fotografia+ Religião

São Paulo recebe fotografia de Pernambuco   foto de: Paula Cinquetti Até o dia 30 de junho, a galeria Território da Foto expõe o trabalho de cinco fotógrafos pernambucanos para dialogar com obra de seis paulistas Fernando Figueiredo Mello Em março e abril, a Arte Plural Galeria (APG) convidou fotógrafos paulistas a mostrarem seus trabalhos em Recife. Fernanda Prado, Celisa Beraldo, Marcello Vitorino, Gabriel Boieras, Luciana Cattani e Paula Cinquetti expuseram suas produções e realizaram intercâmbio visual com os pernambucanos Teresa Maia, Cláudia Jacobovitz, Mariana Guerra, Matheus Sá e Alexandre Belém. Agora, a galeria Território da Foto recebe os mesmos seis fotógrafos de Pernambuco em São Paulo, para exposição com os cinco paulistas. São Paulo recebe Pernambuco terá abertura para convidados nesta quarta-feira (9). A partir de quinta (10) até o dia 30 de junho, a exposição fica aberta ao público. foto de: Alexandre Belém Novamente, a curadoria é da jornalista e crítica de arte Simonetta Persichetti. O objetivo da iniciativa é fazer um intercâmbio de olhares e mostrar o que está sendo produzido e fotografado no País, como Simonetta disse ao site da Brasileiros na época da exposição em Pernambuco. Os trabalhos dos 11 fotógrafos dialogam entre si. A poesia das imagens de memória e sentimento de Fernanda Prado, por exemplo, faz ponte com as fotos de casas de Alexandre Belém. As cores vibrantes de Mariana Guerra conversam com as imagens pulsantes de Paula Cinquetti. O trabalho com a natureza de Matheus Sá se encontra com o de Marcello Vitorino e suas fotografias sobre o candomblé. Religião, homem e natureza estão na obra de Teresa Maia, assim como nos trabalhos de Cláudia Jacobovitz, Celisa Beraldo, Gabriel Boieras e Luciana Cattani. foto de:  Gabriel Boieras “Queremos conversar, convergir para, de alguma forma tentar remontar um panorama da fotografia do País. O que estamos produzindo é muito diferente? É semelhante? Isso importa?”, pergunta Simonetta. “A vontade é juntar as mais diferenciadas vozes, ser um polo aglutinador de tendências, experiências e do pensar fotográfico”, finaliza. SÃO PAULO RECEBE PERNAMBUCO Quando: de 10 a 30 de junho De segunda a sábado, das 10h às 18h Onde: Galeria Território da Foto Rua Mateus Grou, 580 – Pinheiros – São Paulo (SP) Site: www.territoriodafoto.com.br Telefones: (11) 2737-7392 / 3032-5743

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Pernambuco convidou, agora São Paulo Recebe

Junho 1st, 2010 at 06:03pm Under Fotografia+ Religião

  São Paulo recebe Pernambuco Território da Foto reúne 11 fotógrafos pernambucanos e paulistas para uma exposição coletiva, a partir de 10 de junho. É a 1ª edição do projeto que visa promover um diálogo entre as mais variadas linguagens estéticas brasileiras     Em uma iniciativa inédita em Pernambuco, a Arte Plural Galeria realizou no mês de março um novo projeto. O “Pernambuco Convida” funciona como um intercâmbio entre fotógrafos dos vários estados do País. Na 1ª edição, os pernambucanos Teresa Maia, Cláudia Jacobovitz, Mariana Guerra, Mateus Sá e Alexandre Belém receberam os paulistas Fernanda Prado, Celisa Beraldo, Marcello Vitorino, Gabriel Boieras, Paula Cinquetti e Luciana Cattani. São 11 profissionais com linguagens e intenções diferentes que se unem para apresentar ensaios totalmente livres em uma exposição conjunta. Com curadoria da jornalista e crítica de fotografia Simonetta Persichetti, a ideia do projeto é convidar a cada ano um estado, criando um diálogo imagético entre os fotógrafos brasileiros. “Queremos conversar, convergir para, de alguma forma tentar remontar um panorama da fotografia do País. O que estamos produzindo é muito diferente? É semelhante? Isso importa?”, questiona Persichetti. “A vontade é juntar as mais diferenciadas vozes, ser um pólo aglutinador de tendências, experiências e do pensar fotográfico”, complementa. O resultado desse novo projeto são 30 imagens que conversam entre si, se complementam, se afrontam, se questionam. As fotos poéticas de Fernanda Prado, que trabalha com memória e sentimento, encontram apoio nas casas de Alexandre Belém, feitas durante o intervalo de uma reportagem. O ensaio de Mariana Guerra acha eco na cobertura de Paula Cinquetti, não só pela cor vermelha que domina, mas pela pulsão de vida que transmite. A cultura da natureza de Mateus Sá fala com o trabalho transcendental de Marcello Vitorino, que procura desvendar os mistérios do candomblé. Ambos de lados diversos falam de uma mesma busca da religião, homem e natureza. Aspecto que podem ser encontrados nas fotografias de Teresa Maia, onde um rapaz se relaciona com um manequim. Nesta mesma linha, estão as buscas de Claudia Jacobowitz, Celisa Beraldo, Gabriel Boieras e Luciana Cattani, do Território da Foto. A inspiração para montar o “Pernambuco Convida” veio das saudosas semanas da fotografia dos anos 1980 criadas pela Funarte. “Nós acreditamos na diversidade e riqueza da produção fotográfica brasileira e, de alguma maneira, queremos retomar esta necessidade de diálogo, de conversa e de amostragem”, argumenta a curadora, que traz esta mesma exposição para São Paulo, a partir de 10 de junho, no Território da Foto. Pernambuco convidou e agora São Paulo recebe.   SERVIÇO: SÃO PAULO RECEBE PERNAMBUCO Abertura: 09 de junho, às 19h Visitação: de 10 de junho a 31 de julho – de segunda a sexta, das 10h às 18h, e sábados das 10h às 14h. Domingo é fechado. Entrada: franca Território da Foto, Rua Mateus Grou, 580 Pinheiros – São Paulo – SP Informações: (11) 2737-7392 atendimento@territóriodafoto.com.br

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Um mestre na Arte da Luz

Março 31st, 2010 at 06:11pm Under Arte e cultura+ Cinema+ Fotografia+ Geral+ História+ Humor+ Natal

Simonetta Persichetti, especial para O Estado de S. Paulo       “Fujam do centro do retângulo.” Com essa frase, Chico Albuquerque (1917-2000) instigava os fotógrafos iniciantes a aprender a ver. Em seguida, ele ria. Sim, “seu Chico”, como ficou conhecido, era uma pessoa alegre, bem-humorada e ensinou a fotografar muitos jovens nos anos 1970, 1980 e, talvez, até 1990.   Embora seu nome apareça sempre ligado aos retratos e à publicidade, Chico Albuquerque durante seus 65 anos de fotografia foi, antes de mais nada, fotógrafo, registrando tudo o que lhe interessava. Começou com os retratos, sim, também se pode afirmar que foi nosso primeiro fotógrafo de publicidade ao fotografar uma campanha em 1949, mas também fez fotos inesquecíveis em Mucuripe e Jericoacoara, fotografou a São Paulo dos anos 1950, trabalhou com cinema e muito, muito mais.  Parte de seu legado fotográfico está reunido no livro Chico Albuquerque - Fotografias, de Ricardo Albuquerque e Patricia Veloso, que será lançado hoje no Museu da Imagem e do Som de São Paulo. Acervo esse com mais de 60 mil imagens que foram doadas ao MIS e, em 2006, transferidas para o Instituto Moreira Salles com o intuito de preservar e restaurar todo o material. Deste convênio também faz parte o Instituto Cultural Chico Albuquerque, fundado por seus familiares e presidido pelo filho Ricardo.   Dividido em sete capítulos - Ensaios (1930/ 1960), Mucuripe (1942/1952), Retratos (1940/1960), Publicidade (1950/1980), Frutas (1978), Arquitetura (1950/ 1970) e Jericoacoara (1985) -, o livro abrange a multiplicidade de técnicas e temas abordados pelo fotógrafo: “Nestas páginas, apresentamos memoráveis imagens executadas ao longo de uma vida dedicada à excelência, à criatividade, à singularidade. A inquestionável marca Chico Albuquerque de expressar-se com maestria na arte da luz. Um legado para a fotografia brasileira”, explica a editora do livro, Patrícia Veloso, em seu texto presente na publicação. Nascido em Fortaleza numa família que já trabalhava com imagem, seu pai Adhemar Albuquerque também era fotógrafo e foi ele quem sugeriu ao filho iniciar a carreira aos 15 anos. Na mesma época, interessou-se também pelo cinema - aos 25 anos, em 1942, foi responsável pelas fotografias do documentário It’s All True ( É Tudo Verdade ), de Orson Welles, filmado na capital cearense. Disposto a investir na sua carreira imagética, Chico Albuquerque partiu, inicialmente para o Rio, mas depois se instalou definitivamente em São Paulo, no fim dos anos 1940, permanecendo aqui até 1975, quando retornou definitivamente para Fortaleza. Chico Albuquerque é um perfeccionista, mestre da técnica e da composição, mas acima de tudo um profundo conhecedor da luz, tanto a natural quanto a construída em estúdio: “A luz salva!”, costumava dizer, como lembra o fotógrafo Dudu Tresca em texto no livro. Um olhar que procurava registrar de forma inusitada e única o que via. Um apaixonado pela fotografia. Seus magníficos retratos realizados em estúdio são completamente diversos das imagens dos pescadores, dos jangadeiros de seu Estado natal. Em todos, porém, o mesmo respeito pelo personagem e também pela imagem. Da publicidade às fotos de arquitetura, detalhes atentos construídos pela luz que tanto aprendeu a admirar. Chico Albuquerque fez parte do Foto Cine Clube Bandeirante e trabalhou ao lado de outros mestres, como Thomaz Farkas, Geraldo de Barros e German Lorca. Reestruturou o Estúdio Abril (da Editora Abril) no fim dos anos 1960 e início dos anos 1970. O estúdio acabou se transformando na grande escola de fotografia de fotógrafos de moda, publicidade e também jornalistas. Aliás, em 1981, ele foi convidado a assumir como consultor a coordenação de repórteres fotográficos do jornal O Povo , de Fortaleza. Foi responsável pela formação de fotógrafos como Ed Viggiani, Tiago Santana e Celso Oliveira. Fotógrafo incansável e obsessivo, organizou sua última individual em 1989 no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, com uma retrospectiva que marcou os 65 anos de carreira profissional. Só parou de fotografar aos 83 anos, em 2000, quando ainda assinou campanha publicitária nacional, vindo a morrer em 26 de dezembro do mesmo ano. “Com esta publicação, busca-se fazer justiça ao trabalho fotográfico de Francisco Albuquerque, uma referência na história da fotografia moderna do Brasil”, diz Rubens Fernandes Junior no texto de abertura no livro. Talvez muito mais do que justiça, o que esta publicação nos apresenta é uma verdadeira aula do olhar, um olhar de quem costumava afirmar: “A imagem é a minha palavra, não gosto de filosofar, não tenho de emitir conceitos.”

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Novo curso no Território da Foto

Março 19th, 2010 at 02:26pm Under Filosofia+ Fotografia

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Arte Plural cria grupos de estudo sobre edição e história da fotografia

Março 19th, 2010 at 02:21pm Under Fotografia+ História

Já estão abertas as inscrições para os Grupos de Estudo de ”Edição” e de “História da Fotografia”, que terão a orientação da jornalista e crítica de fotografia Simonetta Persichetti, na Arte Plural Galeria. Os encontros serão realizados uma vez por mês, a partir de abril.  O grupo de Edição de Fotografia vai abordar, em aulas práticas e teóricas, formas criativas e eficientes de editar uma imagem. Dentro do programa, o aluno irá aprender técnicas de como criar ritmo de leitura para uma publicação ou portfólio; saber como determinada fotografia pode ser aproveitada por programas de edição ou não; se acostumar com as diversas possibilidades de compreensão de um ensaio e escolher entre um trabalho ilustrativo e outro comunicativo. Os encontros serão nos dias 12 de abril, 10 de maio e 14 de junho, das 19h às 23h.  Já o grupo de História da Fotografia visa a compreender a transformação dos códigos e de visualidade a partir da invenção da foto. Através de vídeos e projeções de imagens, serão estudados os principais movimentos e o surgimento da linguagem fotográfica, além de abordar um pouco da biografia dos principais profissionais na área. Os encontros serão nos dias 9 de agosto, 13 de setembro, 18 de outubro e 8 de novembro, das 19h às 22h.   Os interessados devem correr, pois as vagas são limitadas . O custo por participante é de R$ 350, em cada grupo, com 15% de desconto para associados da Fototech (apresentar a carteira de associado). O preço também será facilitado para quem se matricular em ambos os grupos, que sairão por R$ 300, cada. Ou em 3 vezes no cartão Visa SERVIÇO: Grupo de Edição de Fotográfica Datas : 12/04, 10/05 e 14/06 – Horário: 19h às 23h.  Grupo de História da Fotografia Datas : 09/08, 13/09, 18/10 e 08/11 – Horário: 19h às 22h.   Inscrição Na Arte Plural Galeria – Rua da Moeda, 140, Bairro do Recife – Recife – PE; Informações: (81) 3424.4431 -  arteplural@artepluralgaleria.com.br www.artepluralgaleria.com.br

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Arte Plural cria grupos de estudo sobre edição e história da fotografia

Março 19th, 2010 at 02:21pm Under Fotografia+ História

Já estão abertas as inscrições para os Grupos de Estudo de ”Edição” e de “História da Fotografia”, que terão a orientação da jornalista e crítica de fotografia Simonetta Persichetti, na Arte Plural Galeria. Os encontros serão realizados uma vez por mês, a partir de abril.  O grupo de Edição de Fotografia vai abordar, em aulas práticas e teóricas, formas criativas e eficientes de editar uma imagem. Dentro do programa, o aluno irá aprender técnicas de como criar ritmo de leitura para uma publicação ou portfólio; saber como determinada fotografia pode ser aproveitada por programas de edição ou não; se acostumar com as diversas possibilidades de compreensão de um ensaio e escolher entre um trabalho ilustrativo e outro comunicativo. Os encontros serão nos dias 12 de abril, 10 de maio e 14 de junho, das 19h às 23h.  Já o grupo de História da Fotografia visa a compreender a transformação dos códigos e de visualidade a partir da invenção da foto. Através de vídeos e projeções de imagens, serão estudados os principais movimentos e o surgimento da linguagem fotográfica, além de abordar um pouco da biografia dos principais profissionais na área. Os encontros serão nos dias 9 de agosto, 13 de setembro, 18 de outubro e 8 de novembro, das 19h às 22h.   Os interessados devem correr, pois as vagas são limitadas . O custo por participante é de R$ 350, em cada grupo, com 15% de desconto para associados da Fototech (apresentar a carteira de associado). O preço também será facilitado para quem se matricular em ambos os grupos, que sairão por R$ 300, cada. Ou em 3 vezes no cartão Visa SERVIÇO: Grupo de Edição de Fotográfica Datas : 12/04, 10/05 e 14/06 – Horário: 19h às 23h.  Grupo de História da Fotografia Datas : 09/08, 13/09, 18/10 e 08/11 – Horário: 19h às 22h.   Inscrição Na Arte Plural Galeria – Rua da Moeda, 140, Bairro do Recife – Recife – PE; Informações: (81) 3424.4431 -  arteplural@artepluralgaleria.com.br www.artepluralgaleria.com.br

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Obsessão pela beleza

Março 17th, 2010 at 12:53pm Under Cinema+ Fotografia

Simonetta Persichetti, ESPECIAL PARA O ESTADO – O Estadao de S.Paulo “Eu me interesso pela beleza humana e o fascínio que ela inspira é absolutamente primordial.” Esta frase, escrita pelo fotógrafo Alair Gomes (1921-1992) em seu “diário” A New Sentimental Journey, no qual ele conta suas impressões durante uma viagem feita pela Europa em 1983, retrata bem o que buscava em suas narrativas fotográficas. Nos três meses que perambulou entre Inglaterra, França, Suíça e Itália, produziu mais de 700 imagens. Sua obsessão pela beleza, em especial a masculina, é procurada entre as obras clássicas da pintura. Alair Gomes foi um esteta. Suas imagens buscam em estátuas a perfeição formal do olhar que fica fascinado diante da estátua do David de Michelangelo em Florença, ou que escreve uma ode a um dos personagens das Prigioni, estátuas que foram iniciadas por Michelangelo, mas abandonadas antes do término, dando a impressão de que os personagens estão aprisionados. Parte dessas imagens foram selecionadas por outro esteta, o fotógrafo Miguel Rio Branco , que tem em comum com Alair Gomes a busca pela construção de uma obra. O resultado são dípticos e trípticos, imagens sequenciais que foram livremente montadas pelo curador: “Conheço o trabalho do Alair desde os anos 1970 e sei que ele, assim como eu, tinha esta preocupação da construção, do sequenciamento, da narrativa cinematográfica”, conta por telefone Miguel Rio Branco ao Estado. É assim que a mostra se constitui: 130 imagens inéditas que foram encontradas por acaso nos arquivos conservados pela irmã de Alair. A exposição que foi mostrada originalmente na Maison Européene de la Photographie em Paris, e em seguida no Paço Imperial no Rio de Janeiro, no ano passado, pode ser vista em São Paulo na Galeria Bergamin, até 10 de abril. Por ocasião da mostra, a editora Cosac Naify e a MEP promovem o livro Alair Gomes: A New Sentimental Journey, segundo Miguel Rio Branco. A leitura, ou melhor dizendo, as conexões que Miguel Rio Branco criou entre as imagens nos apresentam o cerne da preocupação artística de Alair: “A imagem isolada não é o bastante para representar o seu pensamento, prefere agrupá-las de modo a criar cadências, significados e ritmos”, escreve a curadora Márcia Mello, relembrando que desde o início de sua carreira Alair Gomes optou pela narrativa cinematográfica com suas fotografias. É essa narrativa e sua busca pela beleza por meio do corpo masculino que também é lembrada pelo curador Miguel Rio Branco, durante a entrevista. Embora fique clara sua reverência a Eros: “As fotografias explicitam a cosmovisão existencialista de Alair, cujo ponto de partida é o Eros, entendido pelo autor como a essência, indistinta do divino e do estético, e consubstanciadas na imagem do corpo masculino”, escreve o editor Fabio Settimi, no prefácio do livro, podemos destacar também uma homenagem a Apolo, o deus supremo da beleza e elegância. Para mostrar o encontro das duas essências, Alair se aproxima do objeto fotografo, procura desvendá-lo em ângulos inusitado, seu olhar se move com o respeito de quem se depara com o divino. E assim por meio da fotografia o reverencia. Nietzsche (1844-1900) ao falar de arte traçou paralelo entre Apolo, que para ele representava o lado luminoso da existência, e Dionísio, que representava a transgressão de todos os limites. Segundo o filósofo, os dois se completavam e eram símbolos intuitivos da nossa existência. O que ele traçou em linhas Alair fotografou, substituindo Dionísio por Eros. E é este encontro que reencontramos nesta mostra.

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A exposição Penambuco Convida no site da Revista Brasileiros

Março 8th, 2010 at 07:17pm Under Fotografia

O site da revista Brasileiros  publicou matéria sobre a exposição: Foto: Alexandre Belem Pernambuco convida fotógrafos de São Paulo para exposição Mostra inaugura nesta terça (9) e promove intercâmbio visual entre Estados Melissa de Miranda A exposição coletiva Pernambuco Convida inaugura nesta terça-feira (9), às 19 horas, na Galeria Arte Plural, em Recife. Primeiro, Pernambuco convida São Paulo a mostrar suas produções fotográficas. Depois, São Paulo recebe as obras de Pernambuco. O projeto apresenta-se como uma forma de intercâmbio visual com bagagens culturais, sociais, brasileiras. Para a primeira edição do projeto, dez artistas foram escolhidos pela jornalista e crítica de fotografia, Simonetta Persichetti . A seleção traz os pernambucanos Teresa Maia, Cláudia Jacobovitz, Mariana Guerra, Matheus Sá e Alexandre Belém interagindo com os paulistas Fernanda Prado, Celisa Beraldo, Marcello Vitorino, Gabriel Boieras, Luciana Cattani e Paula Cinquetti. Leia o texto completo aqui.   Foto: Marcello Vitorino

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Frase do dia….

Fevereiro 5th, 2010 at 01:36pm Under Filosofia+ Fotografia+ História

“Os textos se olham, as fotografias se lêem.”   Arrigo Benedetti (1910-1976)  diretor de redação  e fundador da revista L’Europeo, em 1945….  

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Pesquisa de Imagens!

Fevereiro 4th, 2010 at 12:04pm Under Fotografia

Começa no dia 22 de fevereiro, no MAM , mais um curso de pesquisa de imagens. Durante 4 dias iremos discutir sobre a escolha da imagem mais adequada, do que é fazer uma pesquisa iconográfica, leitura de imagens, direito autoral, bancos e arquivos fotográficos. As inscrições já estão abertas! Telefone: (011) 5085.1312

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Dois anos de Tramafotografica: mais de 200 mil acessos

Novembro 27th, 2009 at 05:57pm Under Fotografia

Superamos os 200mil acessos após dois anos de conversas aqui no Trama. Não tenho sido muito constante, é verdade, mas nem sempre tenho o tempo para escrever. Não quero e nunca qui transformar o blog em obirgação e muito menos em trabalho. É puro prazer de dividir com quem lê alguns pensamentos, textos e notícias. Agradeço quem sempre passa por aqui, quem sempre deixa um recado, quem concora e quem discorda. Mas acima de tudo, agradeço o que querem continuar a pensar e discutir a fotografia.

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Vermelho como Céu

Novembro 11th, 2009 at 06:59pm Under Cinema+ Fotografia+ História

O filme de Cristiano Bortone me emocionou muito e, é claro, me fez pensar sobre a questão da visualidade na fotografia. No imaginário, na imagem construída. Ontem à tarde revi este filme com meus alunos do Mestrado de Londrina e sua leitura também me fez repensar muitas coisas.  Mas principalmente na questão da memória. Nossa memória  histórica coincide com o tempo das imagens. Conhecemos e lembramos não daquilo que vimos, mas daquilo que assistimos, ou seja daquilo que nos tocou por meio da representação fotográfica ou do cinema. Como diz a psicóloga social Ecléa Bosi “A memória opera com grande liberdades, escolhendo acontecimentos no espaço e no tempo, não arbitrariamente mas porque se relacionam através de índices comuns. São configurações mais intensas quando sobre elas incide o brilho de um significado coletivo.” Ou ainda o filósofo Henry Bergson: “Não há percepção que não esteja impregnada de lembranças”. Ou seja nossas representações são concretização de uma imagem mental. No filme, um menino de dez anos que adora cinema fica cego depois de um acidente ao brincar com uma espingarda. A forma como ele supera o que lhe aconteceu é por meio das lembranças que permeiam sua vida e das alternativas para desenvolver os outros sentidos. É uma história veridica de Mirco Mencacci, hoje um dos mais conhecidos sonoplastas do cinema italiano. Mas o filme, para mim imperdível, nos desperta a atenção justamente para compreender como memória -que é sempre criação de um contexto, de uma circunstância, de uma narrativa – e, portanto, tão ficção quanto a imagem é moldada por nossos sentidos, cheiros, barulhos. sabores. Por isso algumas discussões que ainda hoje persistem ao redor da fotografia me parecem tão cansativas. Já são quase não questões. Estou falando em relação à ontologia da imagem fotográfica. A fotografia é o que é. Tem uma gramática própria, tem características próprias e o tempo todo procuramos definí-la ou enquadrá-la. Mesmo assim, não posso deixar depensá-la como representação ou tradução de um ato de mental, construída o tempo todo pelas relações que cada fotógrafo e espectador (que de certa forma lhe dá vida ao observá-la) lhe atribuí. Talvez devessemos começar a estudar muito mais o imaginário, a imaginação, a percepção de mundo, e formação de memória.  Temas que discuti no meu doutorado defendido em 2001 quando  estudei a estética da fotografia latino-americana.  Questões que quero retomar de forma mais intensa. E só para citar mais um teórico, agora Pierre Francastel que disse: “A verdadeira imagem não está na obra, mas na memória”.

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Vermelho como Céu

Novembro 11th, 2009 at 06:59pm Under Cinema+ Fotografia+ História

O filme de Cristiano Bortone me emocionou muito e, é claro, me fez pensar sobre a questão da visualidade na fotografia. No imaginário, na imagem construída. Ontem à tarde revi este filme com meus alunos do Mestrado de Londrina e sua leitura também me fez repensar muitas coisas.  Mas principalmente na questão da memória. Nossa memória  histórica coincide com o tempo das imagens. Conhecemos e lembramos não daquilo que vimos, mas daquilo que assistimos, ou seja daquilo que nos tocou por meio da representação fotográfica ou do cinema. Como diz a psicóloga social Ecléa Bosi “A memória opera com grande liberdades, escolhendo acontecimentos no espaço e no tempo, não arbitrariamente mas porque se relacionam através de índices comuns. São configurações mais intensas quando sobre elas incide o brilho de um significado coletivo.” Ou ainda o filósofo Henry Bergson: “Não há percepção que não esteja impregnada de lembranças”. Ou seja nossas representações são concretização de uma imagem mental. No filme, um menino de dez anos que adora cinema fica cego depois de um acidente ao brincar com uma espingarda. A forma como ele supera o que lhe aconteceu é por meio das lembranças que permeiam sua vida e das alternativas para desenvolver os outros sentidos. É uma história veridica de Mirco Mencacci, hoje um dos mais conhecidos sonoplastas do cinema italiano. Mas o filme, para mim imperdível, nos desperta a atenção justamente para compreender como memória -que é sempre criação de um contexto, de uma circunstância, de uma narrativa – e, portanto, tão ficção quanto a imagem é moldada por nossos sentidos, cheiros, barulhos. sabores. Por isso algumas discussões que ainda hoje persistem ao redor da fotografia me parecem tão cansativas. Já são quase não questões. Estou falando em relação à ontologia da imagem fotográfica. A fotografia é o que é. Tem uma gramática própria, tem características próprias e o tempo todo procuramos definí-la ou enquadrá-la. Mesmo assim, não posso deixar depensá-la como representação ou tradução de um ato de mental, construída o tempo todo pelas relações que cada fotógrafo e espectador (que de certa forma lhe dá vida ao observá-la) lhe atribuí. Talvez devessemos começar a estudar muito mais o imaginário, a imaginação, a percepção de mundo, e formação de memória.  Temas que discuti no meu doutorado defendido em 2001 quando  estudei a estética da fotografia latino-americana.  Questões que quero retomar de forma mais intensa. E só para citar mais um teórico, agora Pierre Francastel que disse: “A verdadeira imagem não está na obra, mas na memória”.

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Fotógrafo de cheiros e afetos

Novembro 8th, 2009 at 06:09pm Under Fotografia+ Homens+ Livros

Meu texto, sobre o Claude Lévi-Strauss que  saiu hoje no caderno Aliás, do jornal estado de S.Paulo. Leia abaixo foto: Instituto Moreira Salles Na etnofotografia de Lévi-Strauss, as fotos não ilustram: antes descobrem e narram um país cheio de surpresas    Assim como o turista aprendiz de Mário de Andrade – de quem, aliás, foi amigo -, as fotografias feitas por Claude Lévi-Strauss procuram descobrir um país ainda desconhecido nos anos 30, quando veio ao Brasil com apenas 27 anos, para lecionar na USP. Suas fotografias poucas vezes são lembradas quando se fala de seu trabalho na antropologia, e ele mesmo decide retomá-las e escrever sobre elas, muitos anos depois de seu retorno à França. Mesmo assim publica dois livros, Saudades do Brasil e Saudades de São Paulo (os dois livros foram publicados pela Companhia das Letras). O Brasil que ele descobre é um país feito de cheiros, de surpresas, de um tempo que aos poucos vai mostrando para o antropólogo novas formas de cultura. Nos dois livros, onde ele próprio escreve e revive cada imagem (não é à toa o uso da palavra saudade), relembra sua chegada ao porto de Santos e sua ida até a cidade de São Paulo, suas excursões pelo País, a descoberta dos índios que começa a fotografar. Engana-se, porém, quem imagina encontrar em suas fotografias apenas o registro ou o diário de viagem. Pela narrativa que as acompanha podemos sentir a afetividade que cerca cada uma delas. As cidades, os homens, os personagens de Claude Lévi-Strauss não são as figuras de um viajante e muito menos as de um turista. Não é dessa forma que ele retrata o Brasil e muito menos a cidade de São Paulo, ou as praias de Santos, descritas por ele como praias selvagens. É a busca do antropólogo que por meio da intencionalidade de seu olhar nos apresenta o homem que tanto o fascina dentro de seu contexto sociohistórico. Sabendo que a fotografia e a imagem devem ser lidas como texto, analisadas e decodificadas, ao organizar e editar os dois volumes ele cria um ritmo no qual revive os momentos em que seu olhar encontrou “o outro”. Talvez sem saber, ou sabendo, nas suas fotografias também encontramos uma estética que poderia ser definida como o que hoje se conhece por etnofotografia. Não a fotografia que ilustra, mas a fotografia que narra, que descobre. Uma São Paulo onde ainda o gado passeava e o bonde era o meio de transporte. Uma cidade que já apontava o que viria a ser. Não à toa ele escolhe uma imagem do prédio Martinelli para iniciar sua edição: “Único arranha-céu em toda a cidade, aos olhos dos paulistanos simbolizava a ambição de que esta se tornasse Chicago do Hemisfério Sul. Ambição que se realizou, e foi além…” Lévi-Strauss, ao que tudo indica, parou de fotografar quando deixou o Brasil em 1939. Mesmo assim percebe-se nele também o olhar fotográfico, um corte seguro, um enquadramento perfeito. Pena que tenha deixado de lado a fotografia e não a tenha utilizado mais como objeto de suas teorias. Mas pelo pouco que temos nos fica a presença de sua passagem por aqui. Não, como ele mesmo afirma, um olhar nostálgico, mas um “aperto no coração que sentimos quando, ao relembrar ou rever certos lugares, somos penetrados pela evidência de que não há nada no mundo de permanente, nem de estável em que possamos nos apoiar”. Ainda bem que o legado fotográfico de Lévi-Strauss ajuda a perpetuar essa memória.

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Um olhar sobre o retrato

Novembro 5th, 2009 at 04:40pm Under Fotografia

Lançado recentemente com uma bela exposição no Museu do Imigrante em São Paulo, o livro de Fifi Tong , “Origem” ,  sobre retratos de família é de uma delicadeza emocionante. Quem viu pode agora reviver alguns momentos deste ensaio no próximo dia 11 de novembro (veja convite abaixo). Para quem não viu uma oportunidade de acompanhar as imagens e bater um papo com a autora.

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Morre o antropólogo Claude Lévi-Strauss

Novembro 3rd, 2009 at 06:21pm Under Fotografia+ Livros

    Às vésperas de comemorar 101 anos (1908-2009), morreu no último final de semana o antropólogo francês Claude Lévi-Straus . Considerado um dos grandes pensadores do século XX, Lévi-Strauss morou no Brasil de 1935 a 1939. Ele veio para lecionar sociologia na recem fundanda Universidade de São Paulo (USP). E foi aqui durante as várias expedições que fez pelo Brasil e por suas caminhadas na cidadede São Paulo que realizou uma série de fotografias. Estas fotos estão reunidas em dois livros: Saudades do Brasil e Saudades de São Paulo, ambos publicados pela editora Companhia das Letras .  Quarenta e quatro imagens originais que fazem parte do material sobre a urbanização de São Paulo,pertencem ao Instituto Moreira Salles   .  Tanto as imagens de suas expedições pelo Brasil estudando os índios como as que acompanham o desenvolvimento da cidade de São Paulo são belos documentos de um olhar que procura entender por meio da fotografia o contexto que o cerca.  

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Belo texto de José de Souza Martins

Outubro 4th, 2009 at 11:42pm Under Ciência+ Fotografia+ Governo+ História+ Política+ Saúde+ Sociedade

Gosto muito da visão que o sociólogo José de Souza Martins tem da fotografia e de seu uso e contexto na sociedade contemporânea. Hoje, no cadeno ”Aliás” do Estadão, ele traz um belo texto que fala de fotografia e poder. Resolvi, então, publicá-lo aqui no blog. Leiam! foto: Luiza Sigulem/Revista Brasileiros           É mais que saúde ou feiura José de Souza Martins, O Estado de S. Paulo, 04/10/09 A inclusão da feiúra na agenda negativa da campanha para as eleições presidenciais de 2010, pelo pré-candidato Ciro Gomes, é dos fatos mais interessantes e mais significativos do cenário de nossa decadência política. Com a contrapartida da beleza, como indício de competência, entrou também, nestes dias, o item da saúde no rol dos atributos meritórios da política como contrapartida negativa da doença. A pré-candidata Dilma Rouseff informou que está curada do câncer diagnosticado há algum tempo. Numa das fotografias do noticiário, a poderosa “mãe do PAC” apresenta-se sorridente e saudável. A foto contém mais do que o indício visual dessa cura: a ministra curou-se, também, da carranca de guerrilheira que ameaçava suas chances de chegar à Presidência. Tanto na feiúra apontada em José Serra pelo pré-candidato cearense quanto na belezura ostentada pela gaúcha Dilma Roussef, temos as indicações de que o retrato será o grande candidato nas eleições do ano que vem. A ocultação de estigmas físicos e de caráter de políticos e candidatos não é novidade. A fotografia atenuou a paraplegia de Franklin D. Roosevelt num momento em que sua plena visibilidade teria sido politicamente desastrosa para os EUA. Antes disso, o retrato a óleo já cumpria essa função na política. O jovem d. Pedro II, quando viu a noiva desembarcar do navio que a trouxera da Sicília, chorou e comentou com quem estava ao seu lado: não sei se vou conseguir. Ele havia sido enganado por um retrato, para que a monarquia tivesse filhos e herdeiro. A fotografia tornou-se instrumento poderoso do caráter cada vez mais teatral da política. Mas, ela é polissêmica, revestida de múltiplos e contraditórios significados. Em fotografia há o que se chama de aura, o sobressignificado que propõe a interpretação da imagem, particularmente do retrato, a partir de detalhes circunstanciais e até mesmo não visuais. Gandhi era feio, muito magro e meio gambeta. Em seus retratos ninguém vê isso, mas vê a imensa beleza de sua figura humana devotada à paz, ao próximo e à emancipação política da Índia. A foto que Margaret Bourke-White dele fez, em 1946, esquálido e careca, fiando, ao lado da roca que se tornaria o símbolo da Índia independente, certamente não o tornaria uma figura do apreço do candidato Ciro Gomes. O Getúlio Vargas do Estado Novo e da ditadura tinha sua fotografia exibida em todas as repartições públicas do país, por meio dela anunciada a onipresença do chefe da Nação. Seu retrato o apresentava revestido da aura do poder. Quem via o retrato, não via o homem baixo, gordo e ditatorial, via o poder. A fotografia oficial procurava forjar uma consciência popular da nacionalidade que responde até hoje por uma cultura do retrato que deforma a nossa consciência republicana. Há uma dialética na polissemia do retrato, tanto no real, como o de Dilma, quanto no fictício, como o que de Serra fez Ciro Gomes. No inevitável contraponto de Lula, na moldura do poder, Dilma parece pequena e descabida. A doença é o pretexto imaginário dessa imperfeição. Ciro, por outro lado, ao pretender criar uma imagem, criou um espelho. Fez com que se notasse que tem “cara de chupa-ovo”, como ouvi de alguém, pelos gestos faciais que faz quando fala, a boca tendendo para a forma da dos que têm o hábito de chupar diretamente da casca o ovo cru, fortificante e afrodisíaco popular dos que estão em convalescença. É nesse jogo de contrários que o retrato se compõe com os parâmetros de sua interpretação, como uma coisa só. Os dois casos são expressões do efeito bumerangue da comunicação imperfeita, porque ocultadora e enganadora, as imperfeições dos bastidores invadindo o palco da encenação política. Há aí os circunstantes visíveis e os circunstantes invisíveis. Na leitura do retrato de Dilma o que vai dizer se ela está bem de saúde política é a saúde do vice-presidente José Alencar, pois a saúde que importa é a saúde da instituição. Na subliminaridade da comunicação, Alencar é hoje o que Dilma corre o risco de ser amanhã. As constantes viagens de Lula ao exterior dão a Alencar a visibilidade de um homem frequentemente hospitalizado, a República sob o risco de estar sendo governada por alguém diminuído em sua capacidade de decidir. No otimista retrato de Dilma, o que se vê é a doença de Alencar. Mas se vê, também, a agonia de Tancredo, o bloqueio da esperança na sucessão sem carisma. Na maldade do retrato que Ciro Gomes criou para destroçar o corpo e a alma do adversário, como nos tempos da Inquisição, já operam as circunstâncias e os circunstantes inevitáveis, na rede de condutas que trazem à memória do povo outras maldades. De um lado, calou fundo sua teima no desvio das águas do Rio São Francisco para perenizar rios temporários do Nordeste seco: tirar o sangue de um moribundo para supostamente dar vida aos mortos. De outro lado, a vítima poderosamente simbólica dessa truculência política, d. Cappio, o paulista que é bispo de Barra, na Bahia, com sua greve de fome contra a violência ambiental e social, fez a decisão de Ciro e do governo Lula incidir, violando-o, sobre o sagrado tema da vida da teologia católica, revelou na decisão política a feiúra de um pecado. Na polissemia das imagens, reais ou imaginadas, é necessário levar em conta as funções desconstrutoras do inesperado e do indesejável. Uma ação judicial contra este jornal proíbe no noticiário sobre atos que têm merecido o repúdio da opinião pública a menção ao nome do filho do presidente do Senado. Forma de dar um retoque cidadão num retrato que é expressão típico-ideal da dominação patrimonial. A trama oligárquica desses arcaísmos do poder aparece justamente numa foto, em que estão juntos os vários que compõem essa forma anômala da concepção do mandato na nossa opção republicana, até mesmo o juiz. Quanto mais a censura permanece, mais revela o caráter do censor, mais o censor nela se retrata. A República do retrato retocado expõe-se na corrosiva imagem invertida do negativo.

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