Na semana passada eu recebi um e-mail da Andreia , do blog Momentos (não deixem de conferir – tem várias fotos lindas por lá!), sugerindo que eu falasse um pouco sobre fotos HDR aqui no Ajuste o Foco . E agora você deve estar pensando: mas o que são fotos HDR? Essa sigla é a abreviação de high dynamic range photos (em português: fotos com alto alcance dinâmico ). A maneira tradicional de conseguir uma dessas é fotografando em RAW (para o nosso azar, a maioria das câmeras automáticas salva os arquivos automaticamente em formato JPEG); além disso, é preciso conseguir três imagens exatamente iguais, mas com diferentes tempos de exposição: uma sub-exposta, uma normal e uma super-exposta ( clique aqui para entender como isso funciona). Uma vez que você tem as fotos, é preciso juntá-las com um programa específico – veja o exemplo abaixo: Foto: Claudia Regina Maaas não existe apenas uma maneira de conseguir um efeito parecido com o da foto acima – ainda bem! Sendo assim, resolvi dividir o assunto em duas partes: a primeira mostrando a maneira tradicional de conseguir esse efeito, e a segunda ensinando a transformar qualquer arquivo JPEG em uma “falsa HDR”. > O MÉTODO TRADICIONAL Antes de mais nada, certifique-se de que sua câmera possui tudo que é preciso para conseguir esse efeito da maneira tradicional. Geralmente isso só é possível com câmeras D-SLR, mas algumas automáticas também oferecem as opções necessárias. Sua câmera precisará: permitir o ajuste manual do tempo de exposição salvar o arquivo em RAW (o processo pode ser feito com arquivos JPEG também, mas com RAW a qualidade da imagem final será melhor) Além disso, você precisará de um tripé ou uma superfície estável para apoiar sua câmera. Escolha um assunto imóvel , pois serão necessárias três imagens idênticas (o ideal é começar com landscapes). Verifique também se sua câmera possui a função AEB ( Auto Exposure Bracketing) : esse recurso programa a câmera para tirar as fotos com diferentes exposições sem precisar refazer os ajustes (isso mesmo: com um clique, a máquina irá tirar uma foto sub-exposta, uma normal e uma super-exposta). A função AEB numa Canon Rebel Caso sua câmera não tenha a função AEB, você precisará fazer os ajustes manualmente entre uma foto e outra. Na primeira, o tempo de exposição deve ser -2 ou -1 (sub-exposição); na segunda, o tempo de exposição deve ser 0 (exposição normal); e na terceira, o tempo de exposição deve ser de +2 ou +1 (super-exposição). Apóie a câmera sobre o tripé ou alguma superfície estável e faça as fotos com os diferentes tempos de exposição. Você também pode fazer mais alguns “trios” de fotos por precaução – afinal, o menor movimento pode prejudicar o resultado final. Agora que você já tem as fotos, podemos passar para a edição. > EDITANDO SUAS IMAGENS O programa mais utilizado para editar e criar fotos HDR é o Photomatix (faça o download da versão de testes aqui ). Se você preferir, também pode utilizar o Photoshop . Neste tutorial * eu mostrarei o passo-a-passo utilizando o Photomatix. Abra o programa e escolha a opção Generate HDR Image : O Photomatix vai pedir para você selecionar os arquivos-fonte. Vá em Browse para escolher as fotos: Selecione as três fotos com diferentes exposições (utilize Shift ou Ctrl para selecionar mais de uma por vez): Clique em OK . Agora serão exibidas as opções de alinhamento e correção. Align source images Ao selecionar essa opção, o programa alinhará suas fotos. Mas se você utilizou um tripé e o modo AEB, provavelmente não será preciso habilitá-la: as fotos já estarão perfeitamente alinhadas. Se você não utilizou AEB, selecione a opção By correcting horizontal and vertical shifts . Se você não utilizou nem tripé nem a função AEB, o ideal é selecionar a opção By matching features , pois a probabilidade de as fotos terem ficado com algumas diferenças entre si é grande. Attempt to reduce ghosting artifacts Essa opção é para corrigir qualquer coisa que possa ter se movido na cena entre uma exposição e outra. – Moving objects/people: para corrigir pessoas ou outros objetos que se movimentaram entre as fotos. – Background movements: movimentos na própria cena (como nuvens e água). Ao utilizar fotos em RAW, você também pode mudar algumas opções do formato (mas não há problema nenhum se deixar como está). Clique em OK e espere até o programa criar sua HDR . Após isso, você verá uma foto bem feia – mas tenha caaalma! É a sua HDR, mas nenhum monitor consegue “ver” a profundidade de cores de uma HDR; por isso só enxergamos um preview bem limitado. Agora que a HDR foi criada, vamos para a parte mais importante: o Tone mapping . O Tone mapping fica na palheta à esquerda. Nesse momento, configuramos a HDR para que ela possa ser transformada em uma foto com profundiade de cor menos abrangente, mas já com a aparência desejada. Existem várias opções de Tone mapping, e a melhor forma de descobrir como elas funcionam é criando diferentes HDR’s e… fuçando nos botões! Se você não sabe por onde começar, dá para conseguir uma boa edição usando as opções da aba Details enhancer : – Strength: é a força da HDR, ou seja: o quanto que você quer misturar das diferentes exposições numa única imagem. Quanto menor o valor, mais discreta será sua HDR; quanto maior, mais forte será a edição. – Color saturation: saturação. Quanto maior o valor, mais colorida (cores mais saturadas) ficará sua imagem. – Light smoothing: uma das opções mais importantes. Note que, ao selecionar a primeira “bolinha”, sua foto ficará um tanto forçada e cheia de halos nas bordas. A última “bolinha” significa máxima suavização do efeito. – White point: essa opção define um ponto de luminosidade, clareando a cena. – Black point: essa opção define um ponto de sombra, escurecendo a cena. – Gamma: possui uma característica diferente das opções de gamma que nos são familiares. Essa opção utiliza a luminosidade da cena para mostrar mais detalhes. – Process: após fazer as edições desejadas, você clica nesse botão para processar a imagem e transformá-la em um arquivo que pode ser exportado (salvo) em outros formatos. Assim você pode continuar editando a foto em outros programas, como o Photoshop. (+) BÔNUS! Se você ainda ficou com alguma dúvida, o site How To: Take HDR Photos disponibiliza tutoriais em vídeo (em inglês) para diferentes tipos de câmera. Clique aqui para acessar o site e assistir os tutoriais. (*) este tutorial foi feito com base nesse artigo . .

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Fotos HDR (parte I): o método tradicional