Milan Kundera recupera cidadania tcheca


O romancista Milan Kundera, que foi banido para Paris em 1975, acaba de recuperar a cidadania tcheca, depois de ter tido relações complexas com seu país natal, que o regime comunista havia privado de sua nacionalidade, então Checoslováquia, há 40 anos.

Milan Kundera, 90, e sua esposa Vera receberam documentos em sua casa pelo embaixador tcheco em Paris, Petr Drulak, em 28 de novembro, disse terça-feira à AFP Zuzana Stichova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

“Este é um gesto simbólico muito importante, um retorno simbólico do maior escritor checo” em seu país, comentou o diplomata em comunicado ao Le Figaro.

O escritor tcheco mais conhecido do mundo, Kundera também foi paradoxalmente por muitos anos o escritor mundial menos conhecido em seu país por seus trabalhos publicados na França.

Abandonando a língua nativa para escrever no país de adoção, o romancista não autorizou, por uma questão de perfeccionismo, a tradução para o tcheco de suas obras como “Lentidão”, “Identidade”, “Ignorância” ou “Festa da Insignificância”.

Ser traduzido por outra pessoa na própria língua seria uma “perversidade”, disse o escritor, cujos livros foram publicados em cerca de 40 idiomas.

Proibida a publicação

“Cortar o local de nascimento de todo o mundo é incomum”, observou há alguns anos o crítico de Praga Jaromir Slomek.

“Perfeccionista, pedante, muito bom. Mas ele tinha domínio suficiente de chinês, japonês ou coreano para poder controlar as traduções de suas obras para esses idiomas? Ele se perguntou.

Como muitos de seus contemporâneos, Milan Kundera fez uma longa jornada, jovem apaixonado pelos “amanhãs que cantam” prometidos pelo comunismo na época do “golpe de Praga” de 1948, mas manifestante do mesmo regime totalitário cerca de vinte anos mais mais tarde.

Banido da vida pública e proibido de publicação após o acidente de “Praga Primavera” de 1968 por tanques …

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